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Diario de Pernambuco - PE 06/04/2010 - 11:37 |
Migração pernambucana
Passaporte - Artistas e bandas locais excursionam pela Europa e América do Norte em busca de novas plateias
Carolina Santos
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A primavera já chegou ao hemisfério norte e traz com ela uma pequena invasão pernambucana. Passado o carnaval, é a vez das bandas daqui procurarem outras terras, com mais oportunidades de shows e visibilidade. Um movimento sazonal que a Devotos, do Alto José do Pinho (Casa Amarela), se prepara para seguir pela primeira vez. Hoje à noite eles entram num avião com destino à Europa. Vão ficar lá por mais de um mês, fazendo shows pela Suíça, Espanha, Itália, Croácia, Polônia, Hungria, Alemanha, Eslovênia, Holanda, França e (ufa!) Portugal. "É como se estivéssemos começando tudo de novo. Vamos tocar para pessoas que nunca ouviram falar da gente. E é também a realização de dois sonhos: fazer uma turnê na Europa e gravar um LP", comemora Canibal, vocalista da Devotos, que vai lançar o vinil no show da França.
A lista de artistas pernambucanos que excursionam com frequência no exterior não é pequena. A banda Eddie há oito anos toca no verão europeu. Maestro Spok, NaçãoZumbi, Mundo Livre S/A e Silvério Pessoa são outros com uma boa circulação lá fora. Quem está colhendo agora os frutos de uma turnê internacional é a Orquestra Contemporânea de Olinda, que recebeu mais uma matéria elogiosa no The New York Times, o jornal de maior prestígio nos Estados Unidos. Na plateia do show, ainda estava o ex-Talking Heads David Byrne, divulgador e amante da música brasileira. "Ficamos muito felizes com a receptividade em NY. Ficaram cerca de 300 pessoas do lado de fora por conta do esgotamento de ingressos", disse, por e-mail, o empresário da banda, José de Oliveira, adiantando que eles já receberam convites de festivais para voltar aos EUA em janeiro do próximo ano.
Para a cantora Alessandra Leão, que no ano passado se apresentou na Colômbia e na Argentina, às vezes é mais fácil fazer shows fora do país que circular nas regiões Nordeste e Norte. "Lá fora, muitas vezes, você tem mais estrutura. Para mim, Manaus é muito mais longe que o Japão", critica Alessandra, que já tem shows agendados para março de 2011 na Europa. "Aqui no Brasil, conseguir trabalhar com uma antecedência de seis meses é algo muito raro. Esse show em março do próximo ano, por exemplo, já está marcado desde novembro do ano passado", diz.
A principal dificuldade para entrar no mercado estrangeiro, porém, continua sendo a financeira. Muitas vezes as apresentações do exterior são sem auxílio para passagem. A Devotos, por exemplo, teve o pedido de passagem negado pelo Ministério da Cultura. A Subversivos, que vai acompanhar a Devotos na turnê europeia, vai pagar as passagens com dinheiro do próprio bolso. A banda de rock River Raid conseguiu ser chamada duas vezes para um dos festivais mais importantes dos Estados Unidos, o SouthBySouthwest, mas não recebeu nem cachê, nem ajuda para compra das passagens. "Da primeira vez fomos com recursos próprios. Da segunda, já conseguimos apoio de uma marca de roupas", comenta o guitarrista da River Raid, Ricardo Leão.
Há 15 anos levando artistas para fora do país - a primeira vez foia turnê de Chico Science e Nação Zumbi nos EUA e na Europa -, o produtor Paulo André Pires leva neste ano DJ Dolores e banda para apresentações em festivais no Canadá e Estados Unidos. "Fizemos uma permuta com a Fundarpe: trocamos o patrocínio de dois shows no interior do estado por uma ajuda nas passagens. O ideal é aproveitar os convites dos festivais e fazer apresentações menores, em bares. É uma coisa que tem muito lá fora, que forma público, e ainda é pouco vista por aqui", diz. "Pernambuco tem uma música muito forte, que poderia ser usada junto com ações de turismo. Argentina tem o tango, Rio tem o samba, Portugal tem o fado. Pernambuco tem toda essa diversidade, mas não aproveita para o turismo", lamenta Paulo André. |