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Diário do Nordeste - CE Diário do Nordeste - CE
26/10/2006 - 12:43

Expressionismo à brasileira
Além do costumeiro panorama de obras contemporâneas, a II Bienal Internacional Ceará de Gravura começa hoje e traz em sua programação três exposições paralelas de peso

Dellano Rios

Fotos: Divulgação
Mestre da xilogravura: a obra do artista modernista Oswaldo Goeldi é destaque na II Bienal Internacional da Gravura
Ao lado do poeta Oswald de Andrade, o gravador Oswaldo Goeldi foi um dos mais radicais artistas ligados ao modernismo brasileiro. Carioca, criado na suíça, Goeldi voltou ao Brasil já adulto. Na bagagem, trouxe um repertório rico em novos códigos da mais moderna arte européia. Longe de ser um mero reprodutor das vanguardas do velho continente, o gravador suíço-brasileiro criou um expressionismo “verde-amarelo”, que fascinou alguns e se fez incompreendido por outros tantos.

É esta obra, ainda moderníssima depois de décadas, que pode ser vista a partir de hoje, na exposição “Expressionismo na obra de Oswaldo Goeldi”. A mostra, que entra em cartaz no Museu de Arte Contemporânea do CDMAC, faz parte da II Bienal Internacional Ceará de Gravura. Nela, o público poderá conferir 40 xilogravuras do artista. O material, pertencente à coleção André Buck, é inédito em terras cearenses.

Sem informações sobre as datas de produção, as obras expostas trazem algumas das marcas atemporais da arte de Goeldi (presentes não só em sua xilogravura). A temática é, quase sempre, urbana - onde as ruas e prédios são povoados por tipos conhecidos, que se escondem no anonimato proporcionado pelo minimalismo dos cortes do artista. Nestas gravuras, não há sequer um traço das cores tropicais caras ao modernismo mais ortodoxo.

À ideologia do otimismo e do progresso industrializante, presente na obra dos artistas plásticos do movimento, Goeldi opôs uma descrição crua da realidade urbana em que estava inserido. Descrição quase sempre bidimensional, predominando o binarismo do preto contra o branco - pontuado, aqui e acolá, por cores econômicas de tão raras.

Para alguns estudiosos da obra do gravurista, Goeldi conseguiu ir além de seus companheiros de movimento por investir na atualização de forma e conteúdo (enquanto os demais artistas se preocupavam bem mais com a primeira). Essa superação faz de Goeldi, 45 anos após sua morte, um autor ainda atual.

Atualidade que o faz entrar em sintonia com a exposição “Gravura Brasileira Contemporânea”. Com a curadoria de Maíra Ortins, Nauer Spindola e Ricardo Resende, a mostra reúne o trabalho de 54 artistas, agrupados sobre o tema da exposição - “Na Margem”. “Nosso olhar se voltou para o trabalho de artistas que traziam a gravura para o cenário da arte atual”, explica a curadora Maíra Ortins. Segundo ela, algumas obras reunidas na mostra trazem elementos e soluções novas para a gravura. Tamanhos, materiais e técnicas que não são próprias da gravura tradicional figuram nos trabalhos de artistas nacionais e estrangeiros (convidados pela mostra) e de novatos, que tiveram seu portifólio avaliado pela curadoria do evento.

Na mostra, podem ser vistas obras de nomes como Regina Silveira, Cláudio Mubarac, Eduardo Eloy, Siegbert Franklin, Laurita Salles, Monica Barki, Paulo Penna, Rosana Monnerat e Sofia Panzarini. Os artistas participantes foram convidados a doar suas obras para a coleção do MAC.

Na linha da renovação da gravura proposta pela bienal, a obra da artista italo-brasileira Maria Bonomi ganha destaque. Artista multimídia, ela propõe ir além dos avanços artísticos do modernismo, em uma série de obras que vão de 1958 a 2006.

O mestre cearense Sérvulo Esmeraldo também comparece à Bienal em outra mostra individual. Mais conhecido por sua escultura e por suas obras em amplas dimensões, Sérvulo participa do evento com uma faceta pouco conhecida de seus arsenal artístico. A maioria das obras expostas foram criadas pelo artista nas décadas de 1950 e 1960.

Já a gravura em sua expressão mais tradicional ganhou espaço em outras exposições que compõem a Bienal, como “Grupos de Gravura (A Lira Nordestina, Rio Grande do Sul e Paraíba)” e “Panorama Gravura”, que entram em cartaz no próximo dia 7, no Espaço Cultural SESC/SENAC.

Serviço: II Bienal Internacional Ceará de Gravura - exposições individuais de Oswaldo Goeldi, Maria Bonomi e Sérvulo Esmeraldo, além de mostra conjunta de artistas contemporâneos, em cartaz até 7 de janeiro de 2007, de terça a domingo, 14h às 21h30, no Museu de Arte Contemporânea do CDMAC (Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema). Grátis. Informações: 3488.8600

 
 
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