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Diario de Pernambuco - PE 29/07/2010 - 10:26 |
Abstrações da neblina e do tijolo
Peso e leveza são duas facetas do trabalho de Brígida Baltar, na Fundaj
Thiago Corrêa
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| Artista participa da Semana de Videoarte com duas séries, uma no Derby e outra em Casa Forte |
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A vida da artista carioca Brígida Baltar passou como uma névoa entre a década de 1990 e o ano de 2005. Ao longo desse período, ela desenvolveu a série Coletas, composta por performances, vídeos, esculturas em vidro, desenhos e áudio. Como uma das atrações da 2ª Semana de Videoarte, Brígida expõe parte desse conjunto na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) de Casa Forte (Av. 17 de Agosto, 2187).
A artista, na verdade, ocupa as duas galerias da Fundaj. A Massangana recebe os trabalhos da Coletas, com a exibição simultânea de sete vídeos e mais a reprodução em vinil de experimentações sonoras feitas pela carioca. Os vídeos registram o processo de Brígida em coletar gotas de orvalho. Para isso, a artista desenvolveu novas espécies de pipetas em vidro e máscaras inspiradas na anatomia de insetos na intenção de capturar esses registros de névoa.
Devidamente equipada, a carioca subia as montanhas dos arredores do Rio de Janeiro para deixar se envolver com a neblina. "Eu assumia uma personagem, tinha toda uma vivência, um ritual de acordar cedo e subir as montanhas. É tudo uma ficção, porque não guardo o material colhido. O sentido que é o mais interessante", explica Brígida. Segundo ela, a ação explora a metáfora que envolve a intangibilidade da neblina. "A névoa muda a paisagem, você lida com a transparência e a opacidade, tem essa busca de lidar com a abstração dentro de um mundo material", conta a artista.
Já a outra galeria recebe peças de uma segunda série da artista, com algumas obras desenvolvidas especialmente para o espaço subterrâneo da Baobá. Aqui, ao invés da abstração da neblina, o elemento explorado é o tijolo. Apesar dessa rigidez aparente, Brígida consegue dar leveza ao material. A partir do esfarelamento do tijolo, a artista desenvolveu pequenas esculturas, desenhos e uma instalação com o pó avermelhado reproduzindo o formato do piso de uma casa.
"Quis mostrar como material rígido feito o tijolo pode se tornar maleável. Tem essa noção de construir e descontruir", observa ela. A escolha pelo recurso material envolve a memória afetiva da artista, que se utiliza de restos de sua antiga casa. "É uma forma de repensar a ideia de casa, como uma questão íntima, uma fábrica de devaneios", analisa Brígida. As exposições ficam em cartaz 5 de setembro. As galerias estão abertas às visitações de terça-feira a sexta, de 9h às 12h e de 14h às 17h. Nos sábados, domingos e feriados o horário é de 13h às 17h. |