 |
Diario de Pernambuco - PE 17/06/2010 - 11:09 |
Imagens sussuram palavras
Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, em Olinda, acomoda duas exposições, uma de Badida, outra de Sidnei Tendler
Luiza Maia
 |
| Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press |
 |
| Tendler investiga fronteiras; Badida inspirou-se em frases do cotidiano |
|
|
 |
|
 |
 |
Dois universos artísticos bem diferentes são mostrados a partir de hoje no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC). Em Pintando palavras, Badida expõe 13 quadros inspirados em frases de seu cotidiano e de grandes nomes da literatura. Já Sidnei Tendler investiga através de imagens as fronteiras entre pessoas, cidades, culturas, em UndedUn, e o desejo carnal, material, sensível, em UndeSire.
As exposições de Tendler fazem parte de uma sequência de obras em que ele explora as observações que faz do mundo e do outro. A expressão UndedUn foi criada por ele e significa o Um que tem dentro de si o um outro. "Elas são resultado de uma pesquisa de fronteiras inexistentes, invisíveis ou imensuráveis", explica. Bebendo da mesma fonte, surgiram os trabalhos de UndeSire. Aquarelas e painéis pintados com acrílica buscam revelar a vontade e o poder de ter ou ser. Desta vez, explodem os traços, por vezes as cores, e o quadro é pintado também na interpretação das obras, como nos sonhos, onde os desejos não podem ser controlados. As 80 aquarelas de UndeSire foram digitalizadas e serão exibidas durante a exposição. Ao fundo, pode-se ouvir Floresta Amazônica, de Heitor Vila-Lobos, intensificando a busca pelo entendimento do desejo.
Apaixonada pelas letras, Badida presta nos quadros homenagens a frases ou histórias, seja da mitologia ou dia a dia. "Eu me escudo nas pessoas. Fica mais fácil", explica a artista, que se utiliza tanto das palavras de Ariano Suassuna quanto sua neta de 12 anos, Bárbara Campos, inspiradora de 3 quadros e autora de um dos textos que aparecem escritos nos contornos, num canto, nas paredes ou por cima das imagens.
Sua vida se desvenda na mostra, como no quadro Sons domésticos, em que a artista retrata sons que fizeram parte de sua infância. Chama atenção uma maçã com pregos. "Elas eram guardadas para meu irmão, que tinha diabetes. À noite, na pontas dos pés, ia à cozinha escondida. O único barulho era da fruta sendo mastigada", lembra. Jána autorepresentação Minha vida, ela revisita a praia de sua juventude e relembra estes tempos sentada num banco de areia. Em primeiro plano, está Badida jovem, dispersa entre a brincadeira com barbante nas mãos e seus próprios pensamentos.
Serviço
Exposições Pintando palavras, de Badida, e UndedUn e UndeSire, de Sidnei Tendler
Quando: 17 de junho a 1° de agosto, das 9h às 17, de terça-feira a domingo, e das 9h às 12h, nas segundas-feiras. Lançamento às 19h
Onde: MAC (Rua 13 de maio, 157, Varadouro)
Entrada franca
Informações: 3184-3153 |