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Diario de Pernambuco - PE Diario de Pernambuco - PE
27/05/2010 - 10:23

Arte do confronto e de lembranças brutais
Polonês Artur Zmijewski dá visibilidade ao que incomoda na mostra que reflete o mundo a partir de uma visão crítica

Thiago Corrêa

Artur Zmijewski /Divulgacao
O artista polonês Artur Zmijewski reserva um certo sadismo para construir sua obra. Embora sua formação artística tenha ocorrido no campo da escultura, ele conquistou projeção internacional com trabalhos em vídeo voltados para expor aquilo que se procura fingir que não existe. Confirmado para participar da 29ª Bienal de São Paulo, em setembro, o artista ganha uma mostra na Galeria Vicente do Rego Monteiro, na Fundação Joaquim Nabuco do Derby.

"Ele é um artista de confronto, sempre trabalha com a ideia de dar visibilidade a coisas que não estão suficientemente visíveis na sociedade", explica Moacir dos Anjos, responsável pela Coordenação de Artes Plásticas da Fundaj. Ele vai apresentar a exposição, a partir das 15h, no I Encontro Reflexivo: arte X política X educação. Para participar, os interessados devem se inscrever pelo e-mail culturaedu@fundaj.gov.br. À noite, um debate reúne o artista paraibano José Rufino, o professor da UFPE, Paulo Marcondes Soares, e a pesquisadora da Fundaj, Ronidalva Oliveira.

Na exposição de Zmijewski , serão exibidos os vídeos Game of tag (1999), 80064 (2004) e Them (2007). No primeiro deles, o artista reúne homens e mulheres, de várias idades, num local de aspecto abandonado e os faz brincar de pega-pega. Mas o que aparenta ser apenas um registro de pessoas vencendo o constrangimento da nudez e se entregando ao espírito da brincadeira, ganha um novo significado a partir de uma informação, revelada no fim do vídeo, que nos faz repensar as imagens dentro de um contexto que remete às atrocidades cometidas pelos nazistas contra os judeus.

Um tema incômodo que retorna nas outras duas obras exibidas na Galeria Vicente do Rego Monteiro. Em 80064, Zmijewski consegue ser ainda mais incisivo, provocando uma reação quase física ao convencer um sobrevivente de Auschwitz a retocar o número de prisioneiro tatuado no braço. Nesse processo de renovar a brutalidade do passado, o artista levanta discussões em torno não só dos acontecimentos históricos comotambém do ato de rememorar o passado.

O conjunto das obras ganha uma dimensão maior após o terceiro vídeo, Them, que nos faz entender que essa ainda é uma cicatriz bem presente na Polônia. As particularidades da estrutura social polonesa se revelam quando Zmijewski reúne quatro grupos diferentes (católicos, judeus, socialistas e conservadores), pede que eles desenhem algo que os representem e depois interfiram no trabalho dos outros. Aos poucos, os conflitos entre os grupos começam a surgir, ultrapassando o plano simbólico para revelar as alianças e os rancores que envolvem a sociedade.

O artista prepara uma nova obra para a Bienal de São Paulo e trabalha com a possibilidade de fazer algo em Brasília. A exposição na Galeria Vicente do Rego Monteiro integra a programação do projeto Política da Arte, que procura trazer trabalhos capazes de refletir o mundo a partir de uma visão crítica. Para outubro, o projeto Política da Arte vai trazer o artista albanês Anri Sala, outro que também vai participar da Bienal deSão Paulo.

Serviço

Exposição de Artur Zmijewski

Quando: Abertura hoje, às 15h.

De amanhã à 4 de julho

Visitação: Terça-feira a domingo, das 15h às 20h

Onde: Galeria Vicente do Rego Monteiro, na Fundaj (Rua Henrique Dias, 609, Derby)

Informações: 3073-6714 e 3073-6682

 
 
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